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Educação aprendemos em casa com nossos pais

by carlos nunes (2018-11-27)


Ontem a gente foi ao cinema. De carro. Em qualquer lugar que a gente vai, a gente sempre vai de carro. Ainda bem, porque o papai adora seu 4.4 turbo alto e preto, que ele comprou no ano passado. Como de costume, demorou um pouco para meu pai tirar seu 4.4 turbo alto e preto da garagem porque ela é muito estreita e ele já raspou uma vez o enorme retrovisor direito e xingou o arquiteto que é incapaz de prever o futuro. Antes, a gente tinha um Gol mil, que cabia direitinho e era fácil de entrar e sair. Tem um menino da minha classe, lá da escola, que o pai dele também tem um 4.4 turbo alto, mas prateado. Ele é ainda maior que o do papai e, quando as portas são trancadas, os retrovisores encostam nos vidros automaticamente, não é preciso empurrá-los com a mão. Parece orelha de cachorro. Ainda não falei disso para o papai porque acho que ele não vai gostar de conhecer atividades pedagogics para professores o pai de um amigo meu tem um carro maior e mais moderno, e também tem uma garagem bem maior, e que o truque do retrovisor que se fecha não serve para nada. Mas é legal de ver! Mas, como eu estava falando, a gente foi ao cinema, de carro. Júlia, que é a minha irmã, mas é legal, foi a última a entrar no carro: não escutou direito minha mãe chamar porque estava ouvindo seu Ipod. Como costuma acontecer quando passeia com a gente, fez cara de gozadora e entrou no carro ouvindo seu Ipod, segurando sua garrafinha de água e olhando para seu celular. Ela tem 16 anos e no seu último aniversário ganhou seu décimo sexto celular. Ela tem muito assunto e conhece um monte de gente. Sentei atrás, ao lado de minha irmã, mas não muito perto, e mamãe sentou na frente, com uma garrafinha de água que ela colocou na porta, e disse para meu pai ter cuidado e ele nem respondeu, só grunhiu. Em seguida, como sempre, papai disse desenhos de natal para colorir são otimos para crianças, seus óculos escuros no nariz, seu cinto de segurança, olhou para um monte de coisas no painel do carro, esticou o pescoço, abriu um sorriso, daí ligou o motor e acendeu todos os faróis. Mesmo de dia ele acende todos os faróis. Acho que o 4.4 turbo alto e preto fez bem ao meu pai, porque no Gol mil ele guiava sem sorrir e com o pescoço menor. Agora não; mas somente a gente pode ver o jeito feliz dele, porque os vidros do carro são tão escuros que ninguém de fora enxerga a gente lá dentro. É uma questão de segurança, dizem papai e mamãe. Eu achava que era para combinar com os óculos do meu pai.